Tratamento Cirúrgico para Obesidade
Bypass Lazzarotto & Souza
Técnicas de tratamento para Obesidade
Nenhuma pessoa deve submeter-se a uma cirurgia para melhora da obesidade sem antes tentar todos os meios de tratamento clínico com médicos nutrólogos e endocrinologistas que ministrarão dietas, atividades físicas e medicamentos. Insistir na procura do melhor método para perder peso sem pensar em cirurgia achando ser o método mais prático para atingir o resultado. A cirurgia tem de ser pensada depois que se esgotaram todos os meios clínicos e os métodos pouco invasivos porque todas as cirurgias fazem modificações maiores ou menores no aparelho digestivo com mudanças desde físicas até hormonais. O organismo será modificado de alguma forma e reagirá diferente do antes de ser operado.

Balão Intragástrico
O balão intragástrico é uma
prótese esférica de silicone. Possui uma superfície lisa e uma válvula por
onde se insufla um líquido de cor azulada (normalmente azul de metileno para
que o paciente reconheça nas fezes pela mudança da cor se o balão romper). É
introduzido no estômago por endoscopia. A sua presença no estômago causa uma
sensação de saciedade pela distensão da parede gástrica. Terá que ser
substituído de 6 em 6 meses. O emagrecimento é discreto e volta a ganhar peso
depois de algum tempo. É mais indicado para grandes obesos que necessitam
perder pouco peso para depois se submeter a uma cirurgia mais agressiva. O
tratamento deve incluir o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar, com
orientação nutricional, psicológica e incentivo à prática de exercícios
físicos aeróbicos, mudanças de comportamentos e hábitos alimentares.
O tratamento pode variar de 4 a 6 meses, quando deverá ser retirado. O que irá
determinar o tempo em cada paciente é a curva de emagrecimento. Em 6 meses, a
perda de peso estimada é de 15 a 25 quilos, nos casos com sucesso.

Marcapasso Gástrico
Marcapasso gástrico, pouco usado,
com conhecimentos limitados e resultados ainda incertos. Consiste em
introduzir um sensor que envia estímulos ao cérebro desencadeando saciedade.
Está em fase experimental.
Consiste no implante de um aparelho na parede gástrica, com extensor na região
logo abaixo da cintura. Este aparelho dispara initerrupdamente choques
elétricos na parede externa do estômago. Ainda não se sabe exatamente por que,
mas esses choques aumentam a sensação de saciedade, por estímulos que vão ao
cérebro e evita que a pessoa coma em excesso.
O implante ajudaria a eliminar até 15% do peso total. Entre 5 e 10 anos faz-se
nova cirurgia para troca de bateria do aparelho. É necessária mudança
comportamental, acompanhamento nutricional, psicológico e atividade física.

Técnica Dr. Payne
A cirurgia de Payne é puramente disabsortiva. Oriunda da década de 50 consiste em isolar grande parte do
intestino delgado deixando-o disabsortivo. Efetua uma anastomose
término-lateral do jejuno ao íleo, conservando 36,5 cm de jejuno e 10 cm de
íleo terminal, preservando a válvula ileocecal. Provoca uma grande área de
disabsorção e emagrecimento.
As maiores complicações são falta de nutrientes com desnutrição protéica,
diarréia, desequilíbrio hidro-metabólico e doenças hepáticas pela toxemia e
hipoalbuminemia. Quando ocorrem complicações graves a cirurgia é revertida e o
paciente volta a ganhar peso.
Muitas variantes técnicas surgiram, mas nenhuma com resultados animadores (Sabiston
11ª Edição- tratado de cirurgia). No Brasil, em São Paulo Dr. Salomão A. Chaib
e Eleazar Chaib modificaram o comprimento das alças para 65 cm de jejuno e 25
cm de íleo terminal (Atlas de Cirurgia do Estômago e do Intestino Delgado de
Henrique Walter Pinotti e Joaquim Gama Rodrigues. Edição 1989)

Técnica Dr. Scott
A outra cirurgia disabsortiva, a de Scott, consistia em fazer anastomose termino-terminal do jejuno proximal
ao íleo terminal. O segmento disabsortivo ficava dentro da cavidade abdominal
sendo a parte proximal fechada, lembrando a cirurgia de Payne e a porção
distal era anastomosada na junção reto-sigmoide. Grande parte do intestino
delgado, jejuno e íleo ficavam totalmente disabsortivas.
Suas complicações eram semelhantes a cirurgia de Payne como diarréia,
desnutrição e hepatopatias. Quando havia complicações a cirurgia era
revertida.

Banda Gástrica
Banda (faixa) gástrica consiste em um
conjunto de anel ou cinta é fixado próximo à junção esofago-gástrica. É uma
prótese de silicone com um dispositivo inflável fixado sob a pele do abdômen
que permite deixa um maior ou menor aporte de alimentos da pequena bolsa na
parte superior do estômago para o estômago propriamente dito. Cria um
reservatório de 10 a 20 ml aproximadamente no estômago, logo que termina o
esôfago. Teve seu ápice na década passada , mas agora está em franca
decadência. O percentual de perda de peso é de 20% nos casos bem sucedidos.
Não é recomendada para compulsivos por doces, dependentes de drogas, álcool ou
cirróticos.
Segundo Dargent, J., O’Brien, P.E., W.A. Brown, Belachew, M., M. Legrand, as
complicações mais comuns da banda gástrica são: Perfuração gástrica,
pneumonia, abcesso, fístula, erosões, infecção dos portais, deslizamento,
dilatação do pouch, perda de somente 20% do excesso de peso, slippage(escorregamento
da banda), falha na perda de peso, vômitos persistentes, refluxo
gastro-esofágico, megaesôfago e erosão da banda.

Técnica Dr. Mason
É uma cirurgia que foi muito usada nos Estados Unidos desde 1973. Consiste em somente grampear o estômago, criando um pequeno pouch do estômago, pequena bolsa de 30 a 50 ml, sem isolá-lo do restante do estômago. Ela apenas restringe a entrada do alimento no estômago. Ainda é feita nos Estados Unidos. O Paciente tem fácil reganho de peso. Foi muito usada no Brasil mas caiu em desuso pelo grande número de pacientes que tiveram reganho de peso.

Técnica Dr. Scopinaro
Grande parte do estômago é retirada, 2/3 a 2/5 da
parte inferior e média gástrica. É realizado um longo isolamento do intestino.
O duodeno e a maior parte do jejuno e parte do íleo ficam isolados do trânsito
principal, provocando assim uma baixa absorção de açúcares e gordura. Faz uma
anastomose (união cirúrgica) de 250 cm da porção do íleo ao estômago, dos
quais 200 cm são de alça alimentar (alça alimentar é o segmento do intestino
que conduz o alimento do estômago até atingir a entrada da alça por onde flui
a bile e as secreções do pâncreas, duodeno e parte do jejuno-íleo isolados) e
50 cm de alça comum (alça comum é o segmento final do intestino delgado onde
se unem os nutrientes vindos do estômago e as secreções da alça isolada). A
maior parte do intestino delgado fica totalmente isolada do trânsito principal
não dando passagem para os alimentos.
A grande vantagem dessa técnica é que a pessoa não precisa reduzir
drasticamente a quantidade de alimentos a serem ingeridos. Resultados: 1-
redução permanente de absorção de nutrientes; 2- normaliza a glicemia e
colesterol em 100%dos casos;
Algumas desvantagens: odor das fezes, flatulências, diarréia, desnutrição e
algumas pessoas ficam com odor forte na pele.
A pessoa deve sempre ingerir suplementos vitamínicos, ter uma boa alimentação
e fazer acompanhamento junto com a equipe que o operou, para o resto da vida.
A perda de peso, indicação e contra indicação são as mesma que para a cirurgia
de Fobi-Capella. Mortalidade em torno de 0,5% a 0,75%, anemia em menor de 0,5%
(necessária suplementação de ferro e folato), desmineralização óssea
(necessária suplementação de cálcio e vitamina D), complicações neurológicas
(necessária suplementação de vitamina B), desnutrição protéica em 3% com 1,3%
de recidiva, diarréia freqüente e muito fétida (queixa mais comum), alto
índice de cálculos de vesícula (são feitas colecistectomias preventivas no
transoperatório), hepatopatias (lembrando as antigas cirurgias disabsortivas)
e muitos voltam a ganhar peso.

Técnica Dr. Lazzarotto
A cirurgia Modificada de Lazzarotto & Souza (o é o intestino normal e da direita a cirurgia de Lazzarotto) é uma cirurgia pouco agressiva, e tem sua base científica em princípios de várias cirurgias: a- captou a restrição da cirurgia restritiva da banda gástrica e da cirurgia de Maison do estômago; b- usou as anastomoses (junção) jejunoileal das cirurgias do estômago e da cirurgia de Paine no intestino delgado. Sedimenta-se cientificamente nos princípios de fisiologia do aparelho digestivo. Preserva todo o estômago que faz o bolo alimentar. Preserva todo o duodeno que é a porção inicial do intestino delgado. No duodeno são absorvidos os principais nutrientes e minerais como o cálcio e outros. Participa com a secreção de enzimas e hormônios indispensáveis para a digestão e absorção do bolo alimentar. Preserva o início do jejuno e o final do íleo em 100% de suas funções. Esta cirurgia apenas modifica o trajeto do alimento criando dois caminhos: o 1º mais estreito (restritivo, que restringe) para efetuar uma diminuição da entrada do quimo naquela região (a pessoa só engorda porque absorve nutrientes a mais do que deveria); o 2º mais largo facilitando a passagem de mais nutrientes do intestino delgado que absorve para o intestino grosso que só absorve líquidos e alguns minerais. O quimo que segue pelo trajeto estreito (restritivo) é quase totalmente absorvido para suprir as necessidades de sais minerais, vitaminas e nutrientes para as células e o mais largo, como um atalho (bypass) deixa fluir mais quimo do intestino delgado para o grosso. A absorção de calorias pelo intestino delgado estará diminuída, e em conseqüência ocorrerá perda de peso com melhora de uma série de doenças direta ou indiretamente relacionadas com a obesidade sem abster-se do maior prazer que é “o comer”. Não retira nem isola nenhum segmento do estômago ou do intestino. Respeita os princípios fisiológicos de absorção de cada órgão e é 100% reversível em casos de complicações.

Técnica Dr. Ludovico Interposição Ileal
Ileal Interposition Sleeve
Gastrectomy - Interposição Ileal.
Esta cirurgia resseca grande parte do estômago e interpõe segmento de ileo
terminal no início do jejuno.
Seu princípio: ao interpor segmento do íleo terminal no jejuno, irá provocar o
efeito incretínico dos hormônios produzidos pelas células “L” que viriam
naquele pequeno segmento, melhorando o diabetes tipo II. Desencadeia melhora
do diabetes, segundo o autor.
Tal princípio deixa dúvidas nesta cirurgia porque o mesmo autor num curto
período já mudou a técnica fazendo outra cirurgia, lembrando a cirurgia de
Marceau- Hess, que veremos na sequência.
É uma técnica cirúrgica recente e é cedo para concluirmos se é efetiva em
longo prazo ou se faz melhorias temporárias.
O que já existe em livros (livro de Sabiston- Tratado de Cirurgia) é o
seguinte: na década de 50 já se interpunha um segmento de íleo no início do
jejuno para tratamento das dislipidemias. Após anos o segmento interposto de
íleo se transforma em jejuno (jejunização do ileo) adquirindo as mesmas
funções do jejuno. Se ocorrer o mesmo nesta cirurgia todos os operados
voltarão a ter diabetes.

Técnica Marceau-Hess Duodenal Switch
A técnica de Marceau -Hess –Duodenal Switch- segue
princípios que lembram a cirurgia de Scopinaro, com algumas diferenças: em vez
de cortar o estômago transversal, corta longitudinalmente preservando o piloro
(válvula na saída do estômago). Isola o duodeno, a maior parte do jejuno e
parte do íleo. Deixa de alça alimentar simples, gastro-jejunal 1,50 m de íleo
e 1,00 m de íleo terminal como alça alimentar comum.
Esta cirurgia tem as mesmas complicações da cirurgia de Scopinaro, porem em
menor intensidade porque preserva a saída do estômago.
Vertical Subtotal Gastrectomy, Bilio-Pancreatic Derivation, Duodenal Switch
baltazar, MD e cols – Obesity Surgery 11,pp-pp
Complicações: Obstrução do intestino delgado 2%, fístula gástrica 2%, fístula
duodenal 1,5%, tromboflebite profunda 0,7%, embolia pulmonar 0,5%, pneumonia
0,5%, SARA 0,2%, esplenectomia 0,9%, fístula de Y de Roux 0,2%, sangramento
pós-operatório 0,5%, abscesso 0,2%, obstrução da anastomose duodenal 0,7%.

Técnica de Wittgrove & Clark
Esta é uma técnica mista.
Deixa uma câmara gástrica similar ao de Fobi-Capela de mais ou menos 30ml, porem mais arredondada. Isola todo o estômago, parte do jejuno e parte do íleo. Deixa com alça alimentar simples gastro-jejunal de 1m e alça alimentar comum de 40 cm.
Seus resultados e complicações são muito próximos da cirurgia de Fobi-Capella.

Técnica Dr. Domene
A cirurgia de Carlos Eduardo Domene é uma cirurgia de Scopinaro porem menos agressiva por não retirar o estômago, aliada à cirurgia de Fobi-Capella que isola parte do estômago, todo o duodeno e grande parte do jejuno e íleo.
Deixa um grande segmento do estômago, duodeno e jejuno exclusos. Faz anastomose do íleo no estômago latero-terminal parcial do estômago, e latero-lateral do jejuno ao íleo, com um coto gástrico cego. Seus benefícios e complicações são similares às cirurgias mais disabsortivas e menos restritivas.

Técnica Fobi Capella
A cirurgia de Fobi-Capela é uma
cirurgia muito restritiva dos alimentos no estômago e pouco menos disabsortiva
no intestino, isolando todo o duodeno e boa parte do intestino delgado.
Restritiva porque restringe o estômago de 1500ml para 30 a 50ml (2 a 3,2% do
seu tamanho), deixando-o equivalente ao tamanho de um copo de cafezinho. Fica
isolado sem função mais ou menos 97% do estômago.
É chamada bypass gástrico, popularmente denominada cirurgia do “grampo” e do
“anel”. Pode ser com ou sem anel de contensão em torno do pequeno estômago.
Pode ser feita com ou sem gastrostomia preventiva (gastrostomia é um orifício
feito do estômago à parede abdominal para alimentação por tubos, em caso de
complicação).

Técnica Dr. Fobi
Lembra a cirurgia de Capella, porem
faz pouch (bolsa) gástrico mais arredondada e uma gastrostomia (orifício do
estômago à parede externa do abdômen) para alimentação com tubos pela parede
abdominal se houver algum tipo de complicação. Seus benefícios e complicações
são similares às cirurgias de Fobi-Capella.

Técnica Dr. Capella
Técnica de Capella é muito
parecida com a técnica do Dr. Fobi. A técnica do dr. Capella pode ser com ou
sem anel de contensão. Dr. Fobi e Dr. Capela iniciaram suas técnicas mais ou
menos na mesma época e tem muitas semelhanças entre si. Este é o motivo pelo
qual se denominou técnica de Fobi-Capella que podem ser com ou sem anel. Seus
riscos e benefícios são idênticos aos da cirurgia de Fobi-Capella.
Obs: no Brasil as Cirurgias do Dr. Fobi e Dr. Capella são chamadas “Cirurgia
de Fobi-Capella” por serem muito parecidas e seus autores costumam vir muito
ao Brasil para ensinar suas técnicas aos cirurgiões brasileiros.

Técnica Dr. Sérgio Santoro
Consiste em ressecar grande parte do estômago,
todo o grande epíplon (véu gorduroso que protege a cavidade abdominal
englobando um órgão quando complica), e grande parte do intestino delgado,
reduzindo-o a três metros. Elimina todo o restante do intestino sadio.
Afirma esse grupo que 3 metros são suficientes para a pessoa ter uma vida
normal e que os pacientes operados estão bem.
Alguns pacientes tiveram complicações graves e outros voltaram a ganhar peso.
A grande preocupação desta cirurgia: se o paciente tiver qualquer doença que
faça perder parte do intestino após uma brida com volvo e ocasione necrose.
Não tem onde buscá-lo.
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